Cura 5.14 beta chega com Paint-on-Support: agora você escolhe onde o suporte nasce

Banner branco com o icone azul do UltiMaker Cura e o texto Cura 5.14 beta: agora voce pinta o suporte, com selos para Paint-on-Support, Windows on ARM, gratuito e UltiMaker

O UltiMaker Cura é o fatiador gratuito e de código aberto que muita gente instala antes mesmo de tirar a impressora da caixa. Em 15 de outubro de 2026 o projeto publicou a versão 5.14.0-beta.1 — atenção: é uma pré-versão, feita para teste, e não a versão estável. E a mudança que mais mexe no dia a dia de quem imprime é justamente a que tira o suporte do campo das tabelas de números: o Paint-on-Support.

Paint-on-Support: pintar o suporte, em vez de adivinhar

Até hoje, decidir onde o suporte aparece era tentativa e erro: mexer no ângulo de overhang, na densidade, na distância e torcer para o fatiador concordar. Na 5.14, o suporte vira uma decisão visual:

  • Você pinta no próprio modelo as regiões que devem receber suporte e as que devem ser evitadas — e também pode deixar o fatiador gerar automaticamente a partir de um controle deslizante de ângulo de overhang.
  • O pincel não é só ponto a ponto: dá para selecionar uma face inteira ou uma superfície curva com um clique e desenhar linhas retas de tinta de suporte (com os atalhos Shift e Shift + Ctrl).
  • As configurações de suporte agora ficam sempre visíveis no painel, já que o suporte pode ser pintado direto na peça.
  • A prévia de camadas ganhou cores por tipo de linha para overhangs e pontes: dá para ver onde o material vai sair no vazio antes de fatiar.
  • E o Cura passa a avisar quando o modelo tem overhangs severos e o suporte está desligado.

Por que isso pesa na conta de quem vende peça

Para quem entrega peça sob encomenda, suporte é dinheiro e tempo em três frentes:

1. Filamento. Todo suporte é material que não faz parte do produto. Poder marcar "sem suporte aqui" onde a peça já se sustenta derruba o peso da peça e o custo por unidade.

2. Acabamento. Suporte que nasce colado numa face visível (ou numa face de encaixe) deixa marca e exige lixa. Pintar o suporte para longe dessas regiões é mais rápido que retrabalhar a superfície depois.

3. Falha de impressão. Do outro lado, o suporte automático às vezes não entra onde era necessário — um canto saliente, um furo. Pintar a área à mão evita perder horas de máquina (e um pedido) por uma camada ao ar.

Suporte de árvore mais estável e paredes internas mais limpas

A beta também mexe em pontos que aparecem no resultado final:

  • Suavização dos galhos do suporte de árvore (Branch Smoothing Layers): os galhos ficam mais suaves e mais difíceis de tombar durante a impressão — situação clássica em jobs longos.
  • Espessura de parede do suporte (Support Wall Thickness e variantes, como a espessura ampliada e as camadas de topo/base não ampliadas): engrossar as paredes do suporte de forma gradual, evitando pontos fracos.
  • Inner Wall Inset: afasta a parede externa da primeira parede interna, reduzindo artefatos de preenchimento que "espirram" pela parede — acabamento mais limpo em quem olha a peça de perto.
  • Nova estratégia de skin: pequenas áreas de teto e piso passam a ser impressas de forma unificada, o que reduz fragmentação de superfície e deslocamentos desnecessários (e tempo de máquina).

Mais três mudanças que você sente no dia a dia

  • Painel de configurações em abas por padrão. A organização vem do plugin Tabbed Settings, criado por Aldo Hoeben e contribuído para o projeto — quem já usava o plugin não perde nada, e quem não usava ganha um painel bem menos poluído.
  • Build para Windows on ARM. Quem tem notebook ARM roda o Cura nativamente (as builds para Mac ARM já existiam). A interface também subiu do Qt 6.6 para o Qt 6.10, com janelas criadas dinamicamente para reduzir tempo de abertura e memória.
  • G-code mais previsível. Os templates de início e fim de G-code agora são processados dentro do motor de fatiamento, aceitam correspondência parcial e listas (por exemplo, material_type in ['TPU','TPU 95A']), e cada arquivo gerado lista no cabeçalho os plugins do CuraEngine ativos. O script de pausa em altura (PauseAtHeight) foi reformulado, e perfis de terceiros ganharam correções — como aceleração, combing de retração e G-code final na Elegoo Neptune 3 Pro.

Checklist antes de instalar a beta

1. Máquina que paga as contas fica de fora. Beta é para testar em paralelo, em uma segunda instalação ou em um computador de apoio, com a versão estável da produção intocada.

2. Guarde o instalador atual. Baixe a beta pela página de release e mantenha à mão o instalador da versão que você usa hoje, para poder voltar atrás.

3. Duplique o perfil de impressão. Teste a beta numa cópia do perfil que funciona, sem contaminar seus ajustes bons.

4. Compare na mesma peça e no mesmo filamento. Imprima um modelo que você já conhece e compare peso de material, tempo e facilidade de remoção do suporte.

5. Cuide dos jobs longos. Suporte de árvore e novas regras de suporte mudam comportamento em peças altas: valide em peça pequena antes de mandar um trabalho de várias horas.

6. Espere a estável para migrar de vez. A beta serve para você chegar preparado quando a versão final sair.

O Paint-on-Support confirma a tendência do fatiamento: menos adivinhação, mais controle direto sobre o que a máquina vai fazer. Para quem imprime em casa é menos retrabalho e menos filamento; para quem vende peça sob encomenda é margem e prazo sob controle.

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